quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Acessibilidade universal, um dos grandes desafios do Brasil.

Após fazer tanto para conseguir ser a sede da Copa do Mundo de 2014, e trazer para a cidade do Rio de Janeiro as Olimpíadas de 2016, considero como um dos desafios mais importantes a serem vencidos a questão da acessibilidade universal.
O público que necessita da acessibilidade para ter sua independência já é na maioria das vezes discriminado. Suas necessidades especiais incomodam a muitos e num país onde a educação está muito longo dos padrões ideais, da valorização ideal, o que temos como resultado final é uma meio acessibilidade na grande maioria dos casos.
Se existe um rebaixo de calçada, que as pessoas se dêem por felizes, afinal, é melhor do que nada. Se a inclinação da rampa está errada, paciência. É o que eu chamo da quase acessibilidade universal.
E para comprovar que sito é reflexo da sociedade como um todo, posto aqui uma imagem que me surpreendeu por estar em uma revista de arquitetura consagrada no público brasileiro - talvez a mais consagrada. Todo mundo já ouviu falar da revista "Arquitetura e Construção". Pois na edição de janeiro de 2011, que comprei ontem, me surpreendi ao ver o quão bitolada pode ser uma publicação. Em reportagem especial sobre acessibilidade e adequação de rampas, observo que as rampas da reportageem vencem 80cm e 3m. E que apresentam apenas corrimão, e não guarda-corpo, como também exigido por norma. Abaixo segue a imagem da rampa para 3m de desnível.

acessibilidade

Aproveito aqui para esclarecer que corrimão e guarda-corpo são elementos bem distintos, inclusive no que se refere às suas funções. E que rampas como as indicadas, sem quarda-corpo, não atendem à NBR 9077, que trata da segurança em rotas de fuga. Algo que envolve a preservação da vida. Isto por que em locais como as ramas da reportagem, há risco de quedas, situação que pode resultar inclusive na morte de pessoas. Tudo por que acessibilidade não se reduz apenas à NBR 9050, como muitos podem pensar. Mas as publicações especializadas devem primar pelo esclarecimento total. Isto por que, de um modo geral o que vemos nas ruas é a acessibilidade parcial.
Citando o próprio autor da reportagem, arquiteto Marcio Moreira, que:
"... aos arquitetos cabe o desenvolvimento e a disseminação da prático do projeto da habitação acessível com o apoio do desenho universal."
Peço que a própria revista invista no esclarecimento total da população, principalmente pela sua força enquanto publicação de arquitetura.
Um exemplo do que falo são agências bancárias em geral. A agência bancária do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, Banrisul, Localizado na Praça da Alfândega é um exemplo desta acessibilidade parcial. A rampa está lá, apenas com corrimão e sem guarda-corpo, embora este seja obrigatório pela Norma quando o desnível é superior a 19cm. E em tempos de lucros altíssimos nos bancos brasileiros, seguir padrões de acessibilidade que garantam segurança é mais do que necessário.
Afinal, Copa do Mundo e Olimpíadas estão aí. Nos resta querer fazer bonito em todos os aspectos, inclusive no que se refere à inclusão das pessoas como um todo.
Arquiteta e urbanista Eliana Hertzog Castilhos

Um comentário:

  1. interessante a divulgação que vocês dão a estas normativas de projetos, é muito pouco divulgado por outros blogs, parabéns.
    Inácio

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